Logo ASBAI

Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Outubro-Dezembro 2017 - Volume 1  - Número 4

Editorial

1 - Os primeiros passos dos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia

The first steps of the Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia journal

Pedro Giavina-Bianchi; Antônio Condino Neto; Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho; Ernesto Akio Taketomi; Fábio Chigres Kuschnir; Gustavo Falbo Wandalsen; Herberto José Chong Neto; Régis de Albuquerque Campos

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :325-326

DOI: 10.5935/2526-5393.20170048

PDF Português

ARTIGO ESPECIAL

2 - O atendimento médico de pacientes com doenças imunoalérgicas no Brasil: reflexões e propostas para a melhoria - Carta de Belo Horizonte

Caring for patients with immunoallergic diseases in Brazil: reflections and proposals for improvement - The Belo Horizonte Charter

Faradiba S. Serpa; Álvaro A. S. Cruz; Antonio Condino Neto; Eduardo Costa F. Silva; Jackeline Motta Franco; Janaína M. Lima Mello; Marilyn Urrutia-Pereira; Marta de Fátima Guidacci; Regina S. W. Di Gesu; Norma de Paula M. Rubini; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :327-334

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170049

PDF Português

Apesar do aumento na prevalência e gravidade das doenças imunoalérgicas no Brasil, como em todo o mundo, o acesso a atendimento especializado, exames complementares e terapias que possibilitam o controle adequado delas, especialmente as com potencial fatal, é restrito a poucos centros no Brasil, e muitas dessas condições e terapias não estão contempladas nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. No presente trabalho, analisamos a realidade atual e carências na assistência a pacientes com doenças alérgicas como anafilaxia, alergia ao leite de vaca, asma, dermatite atópica e urticária crônica e com imunodeficiências primárias. São apresentadas, também, propostas de ações em que a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia poderia trabalhar em parceria com o Ministério da Saúde para reduzir o impacto médico, social e financeiro dessas doenças.

Palavras-chave: Alergia, atendimento especializado, urticaria crônica, asma, dermatite atópica.

Artigos de Revisão

3 - Uso de corticoides e anti-histamínicos na prevenção da anafilaxia: uma revisão bibliométrica

Use of corticosteroids and antihistamines in the prevention of anaphylaxis: a bibliometric review

Maria Cecília Barata dos Santos Figueira; Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :335-341

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170050

PDF Português

Apesar de pouca evidência, é comum a prescrição de corticoides e anti-histamínicos como preventivos de anafilaxia. O objetivo deste estudo foi realizar uma análise bibliométrica sobre o uso de esteroides e anti-histamínicos como medicamentos preventivos de anafilaxia. Para tanto, foi realizada busca ativa de artigos publicados até outubro de 2016 na base de dados Scopus contendo os termos "anaphylaxis and prevention and steroid or antihistaminic" nos campos título, resumo e palavra-chave. Realizada a leitura dos artigos selecionados, na íntegra, com busca específica do foco do estudo, que foi sobre o uso de corticoide e/ou anti-histamínico na prevenção da anafilaxia. Foram encontrados 292 artigos publicados até outubro 2016 na base de dados Scopus. Ao realizar busca dos 104 artigos completos elegíveis, foram incluídos no estudo apenas 49 artigos pela referência explícita aos medicamentos do foco de estudo como possíveis preventivos, e por serem estudos mais recentes, com disponibilidade e digitalização existentes. Nenhum dos 49 artigos lidos na íntegra abordou especificamente o papel dos corticoides e/ou anti-histamínicos na prevenção da anafilaxia. No momento, não há na literatura evidência de que o uso de corticoides e anti-histamínicos seja benéfico ou traga malefício na prevenção da anafilaxia.

Palavras-chave: Anafilaxia, antagonistas dos receptores histamínicos, corticosteroides.

4 - Biomarcadores na dermatite atópica

Biomarkers in atopic dermatitis

Messias E. Faria; Vanessa C. E. S. A. Orso; Isabela A. R. Lisciotto; Cybele C. Faria; Messias E. F. Filho; Bárbara T. G. Soares; Marina A. de Siqueira

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :342-348

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170051

PDF Português

O objetivo deste estudo é descrever os achados de artigos recentemente publicados a respeito dos avanços diagnósticos, prognósticos e terapêuticos sobre o uso de biomarcadores na dermatite atópica. Foi realizada revisão bibliográfica de 19 artigos publicados no Journal of Allergy and Clinical Immunology e no The New England Journal of Medicine. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas têm algum tipo de doença alérgica, entre as quais a dermatite atópica é altamente prevalente. Por mais que possa ser diagnosticada de forma clínica através dos critérios de Hanifin e Rajka, estes são avaliador-dependentes, havendo grande variação dos resultados. Da mesma forma, a dosagem de IgE não é específica. Assim, tais métodos não são precisos para o diagnóstico, aumentando a importância da descoberta de novos marcadores mais fidedignos. Os biomarcadores são características biológicas quantificáveis que fornecem medidas objetivas do estado de saúde ou doença. Eles têm potencial para estratificação de risco, detecção precoce, identificação do tratamento, monitorização de resposta e prevenção da progressão para marcha atópica. Os avanços tecnológicos permitem aos clínicos determinar um grande número de biomarcadores através de fluidos corporais, o que resultará em uma melhor caracterização e estratificação dos pacientes com dermatite atópica, bem como acarretará medidas objetivas da resposta terapêutica e melhores comparações entre tratamentos correntes e novas terapias.

Palavras-chave: Dermatite atópica, biomarcadores, imunologia.

5 - Medicina de precisão na asma

Precision medicine in asthma

Ataualpa Pereira dos Reis; José Augusto Nogueira Machado

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :349-356

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170052

PDF Português

O objetivo deste trabalho é fazer uma revisão atual de uma medicina de precisão personalizada e dirigida para fenótipos e endótipos de asma. As fontes de dados incluíram artigos originais, revisões e publicações indexadas nos bancos de dados PubMed, MEDLINE, LILACS, SciELO e publicadas on line nos últimos 20 anos. Os resultados mostram que a asma tem sido considerada uma doença única por anos, e que estudos mais recentes cada vez mais focam na sua heterogeneidade. Esta heterogeneidade resulta em que a asma contém múltiplos fenótipos ou grupos de características consistentes. Um endótipo é um subtipo desta doença, definido por um distinto mecanismo fisiopatológico, e é associado a um biomarcador. Múltiplos modificadores da resposta imune estão sendo avaliados na asma denominada T2 alta, bloqueando as interleucinas IL-5, IL-13, imunoglobulina E e outras vias. Assim, muitas destas terapias visando a asma T2 alta têm demonstrado melhor eficácia quando certos biomarcadores estão elevados, especialmente os eosinófilos. Já o tipo de asma T2 baixo, que não apresenta biomarcadores precisos, é geralmente diagnosticada pela ausência de biomarcadores para T2 alta. Estes pacientes tendem a ter mais resistência a tratamento com esteroides e o desenvolvimento de novas terapias são muito menos apreciáveis do que as com o tipo T2 alto. As conclusões são que a disponibilidade de agentes bioterapêuticos dirigidos especificamente a IgE, IL-5 e IL-13 é uma excitante evolução da medicina molecular. Contudo, estes agentes bioterapêuticos somente são efetivos quando dirigidos a fenótipos específicos de asma.

Palavras-chave: Asma, diagnóstico, terapêutica, medicina de precisão.

6 - Dermatite autoimune à progesterona

Autoimmune progesterone dermatitis

Danilo Gois Gonçalves; Jorge Kalil; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :357-362

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170053

PDF Português

A dermatite autoimune à progesterona (DAP) é uma reação autoimune à progesterona de origem endógena ou exógena, caracterizada por manifestações clínicas e mecanismos fisiopatológicos diversos. Doença complexa, subdiagnosticada e associada à alta morbidade. O diagnóstico de DAP baseia-se na associação de sintomas cíclicos ou induzidos por progesterona exógena, testes cutâneos e/ou de provocação à progesterona positivos, e resposta clínica à inibição da ovulação.

Palavras-chave: Dermatite, autoimunidade, progesterona.

7 - Esofagite eosinofílica: um conceito em evolução?

Eosinophilic esophagitis: an evolving concept?

Fernanda Marcelino da Silva Veiga; Ana Paula Beltran Moschione Castro; Cristiane de Jesus Nunes dos Santos; Mayra de Barros Dorna; Antonio Carlos Pastorino

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :363-372

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170054

PDF Português

O objetivo deste artigo é revisar a literatura dos últimos 10 anos sobre esofagite eosinofílica (EoE) e descrever os conceitos atuais da doença em seus aspectos de definição, fisiopatologia, fatores de risco, quadro clínico, diagnóstico e tratamento. Foram pesquisados artigos na base de dados do PubMed, do Bireme/ LILACS e do SciELO, nos últimos 10 anos. Os critérios para a inclusão dos artigos foram: (a) publicação nos últimos 10 anos, (b) artigos originais, (c) apenas humanos, (d) artigos de revisão, (e) diretrizes. Os critérios de exclusão foram: (a) artigos que não continham como tema principal a EoE, (b) artigos repetidos, (c) descrição de casos, (d) artigos com abordagem muito específicas para tratamento e diagnóstico. Foi realizada leitura dos resumos por dois pesquisadores, e posterior seleção dos artigos completos para a leitura. Foram acrescentados estudos que aprofundavam aspectos cruciais da revisão, sendo incluídos, ao todo, 3 consensos, 35 estudos e 3 artigos de revisão, que constituíram o total de artigos analisados. A conclusão é de que a EoE é uma doença crônica, cujos aspectos clínicos são fundamentais para a suspeita diagnóstica, mas requer a associação de achados endoscópicos e histológicos para sua confirmação. Na última década, houve modificações significativas nos critérios diagnósticos e algumas novas recomendações no tratamento, mas que necessitam uma observação em longo prazo.

Palavras-chave: Esofagite eosinofílica, diagnóstico, patologia, tratamento farmacológico.

Artigos Originais

8 - Incidência aumentada de haplótipo de HLA de classe II na anafilaxia grave secundária à carboplatina

Increased incidence of a class II HLA haplotype in severe anaphylaxis secondary to carboplatin

Violeta Régnier Galvão; Elizabeth Phillips; Mariana Castells; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :373-378

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170055

PDF Português

OBJETIVO: O papel de biomarcadores nas reações de hipersensibilidade a platinas tem sido estudado, e é conhecido que a presença da mutação do gene BRCA1/2 é fator de risco para reações de hipersensibilidade à carboplatina. A genotipagem de HLA de classes I e II auxilia na identificação de pacientes de risco para reações IgE-mediadas e mediadas por linfócitos T associadas a beta-lactâmicos e abacavir, respectivamente. Não são conhecidos alelos ou haplótipos de HLA mais prevalentes em pacientes alérgicos à carboplatina. O objetivo principal do estudo foi avaliar se alelos específicos de HLA de classe II são mais prevalentes em pacientes alérgicos à carboplatina submetidos à dessensibilização (DS).
MÉTODO: Genotipagem de HLA de classe II realizada em 11 pacientes portadoras de neoplasias malignas tubo-ovarianas, alérgicas à carboplatina, e submetidas à DS, e em 12 pacientes tolerantes à carboplatina, por no mínimo oito ciclos. Analisou-se também a prevalência da mutação BRCA1/2 nos dois grupos estudados.
RESULTADOS: O alelo HLA-DRB1*15:01 foi mais prevalente entre as pacientes alérgicas (5/11; 45%) do que nos controles (1/12; 8,3%) (p = 0,06). O haplótipo de classe II DQA1*01:02-DQB1*06:02-DRB1*15:01 foi mais expresso no grupo de pacientes alérgicas. A mutação do BRCA1/2 mostrou-se mais prevalente no grupo alérgico.
CONCLUSÕES: A identificação de pacientes de risco para reações alérgicas à carboplatina é de extrema importância com o uso crescente da medicação. A genotipagem de HLA e a pesquisa da mutação BRCA1/2 mostramse ferramentas promissoras que podem aumentar a segurança durante infusão regular de carboplatina e DS.

Palavras-chave: Antígenos HLA, anafilaxia, neoplasias ovarianas, carboplatina, dessensibilização imunológica.

9 - Estudo do perfil proteico e reatividade imunoquímica dos extratos dos ácaros D. farinae, D. pteronyssinus e B. tropicalis na cidade do Rio de Janeiro, Brasil

Study of protein profile and immunochemical reactivity for extracts of D. farinae, D. pteronyssinus and B. tropicalis mites in the city of Rio de Janeiro, Brazil

Francisca das Chagas Sobral Silva Mihos; Patrícia Ribeiro Pereira; Anderson Bruno de Almeida Matos; Caio Velloso Mergh; Maria Queiroz da Cruz

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :379-386

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170056

PDF Português

OBJETIVO: Em países tropicais, como o Brasil, o mapeamento dos constituintes proteicos de extratos de ácaros torna-se informação relevante quando se pretende fazer avaliações terapêuticas de doenças alérgicas respiratórias, além de contribuir para a construção de um banco de dados interno do país. Os extratos apresentam-se como misturas complexas contendo diferentes composições de material biológico, sendo necessária a determinação do seu perfil proteico para um melhor desempenho em diagnóstico e terapia. Assim, este estudo analisou a eletroforese das proteínas constituintes dos extratos de B. tropicalis, D. farinae e D. pteronyssinus e avaliou a reatividade das imunoglobulinas específicas de soros de voluntários atópicos da cidade do Rio de Janeiro, Brasil.
MÉTODOS: Amostras dos extratos foram submetidas a precipitação com acetona e aplicadas em gel de poliacrilamida 12,5%. Após a corrida eletroforética, as amostras foram transferidas para membrana de nitrocelulose de 0,45 µm, seguido da etapa de incubação com pool de soros. As bandas referentes à reatividade antígeno-anticorpo foram obtidas pelo método colorimétrico, utilizando-se a peroxidase conjugada a anticorpo secundário.
RESULTADOS: Os resultados obtidos mostraram que a precipitação proteica favoreceu a visualização das bandas no gel, mostrando sua homogeneidade pela reprodutibilidade dos experimentos e seu baixo desvio padrão. Também quanto ao perfil eletroforético, os extratos apresentaram proteínas específicas em sua constituição, tendo reatividade positiva ao teste imunoquímico.
CONCLUSÃO: Pode-se inferir que os extratos de ácaros obtidos no Brasil apresentam alérgenos diferentes quando comparados com extratos proteicos apresentados na literatura americana e europeia, o que torna necessária a criação de critérios próprios de avaliação para padronização dos extratos.

Palavras-chave: Poeira, imunoterapia, aérgenos.

10 - Avaliação dos fatores de risco associados ao broncoespasmo induzido pelo exercício em crianças e adolescentes sem diagnóstico prévio de asma

Assessment of risk factors associated with exercise-induced bronchospasm in children and adolescents without prior diagnosis of asthma

Luciana Oliveira e Silva; Patricia Leão da Silva; Morgana Borges Silva; Nadia Cheik

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :387-394

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170057

PDF Português

OBJETIVO: Avaliar os fatores de risco associados ao broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE) em crianças e adolescentes sem diagnóstico prévio de asma por meio dos parâmetros espirométricos.
MÉTODOS: 90 voluntários acima do percentil 85th do peso (EP) e 30 eutróficos (EU) participaram deste estudo. Foi realizado teste de broncoprovocação de acordo com o protocolo de Del Rio-Navarro et al. (2000), utilizando-se esteira ergométrica. O BIE foi considerado positivo quando o voluntário apresentou redução ≥ 10% do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) basal, ou redução ≥ 26% do fluxo expiratório forçado entre 25 e 75% da capacidade vital forçada (FEF25-75%).
RESULTADOS: Houve associação do excesso de massa corpórea com o BIE demonstrado nas crianças e adolescentes, o que não foi observado com o nível de atividade física. Além disso, o diagnóstico positivo de BIE apresentou reduções significativas da função pulmonar até uma hora pós-exercício avaliado pelos métodos VEF1 e FEF25-75% da espirometria.
CONCLUSÃO: O excesso de massa corporal pode influenciar no aumento da frequência de BIE em crianças e adolescentes sem o diagnóstico prévio de asma quando comparado a eutróficos por diferentes parâmetros na espirometria.

Palavras-chave: Asma induzida por exercício, obesidade, sobrepeso, atividade física, adolescente.

11 - Respirador bucal e alterações craniofaciais em alunos de 8 a 10 anos

Mouth breathing and craniofacial alterations in students aged 8 to 10 years

Claudia Salvini Barbosa Martins da Fonseca; Maria de Fátima Pombo March; Clemax Couto Sant'Anna

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :395-402

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170058

PDF Português

OBJETIVO: Identificar respiradores bucais (RB) e descrever os respectivos sintomas e alterações craniofaciais.
MÉTODOS: Estudo observacional, transversal, descritivo. Incluídos escolares de ambos os sexos, de 8 a 10 anos de escolas municipais de Petrópolis, RJ, Brasil. Selecionados os alunos com critérios positivos para respirador bucal segundo protocolo, e cujas variáveis foram descritas. Os respiradores bucais sem hábitos de sucção (mamadeira, chupeta, dedo) ou com tais hábitos até 3 anos e 11 meses compuseram a subamostra nomeada como respiradores bucais sem interferência dos hábitos de sucção.Estes foram examinados pesquisando-se: fácies alongada, vedação e conformação labial, posição da língua, formato de palato e má oclusão. Classificados cornetos nasais inferiores e amígdalas.
RESULTADOS: Dentre 377 estudantes houve prevalência de 243 (64%) respiradores bucais, e 134 (36%) respiradores nasais.Os sintomas mais frequentes na subamostra dos respiradores bucais sem hábitos ou com hábitos até 3 anos e 11 meses em relação aos respiradores nasais foram: obstrução nasal diária (11 vezes), sonolência diurna (9,6 vezes), roncos (7,5 vezes), dormir de boca aberta (6,9 vezes), dificuldade de respirar à noite/sono agitado (5,4 vezes). Alterações do exame físico nos respiradores bucais sem hábitos ou com hábitos até 3 anos e 11 meses foram: língua mais baixa e anterior (93,7%), lábios inferiores com volume e fissuras (88,2%), palato ogival (84,1%), má oclusão (78,6 %) e hipertrofia de cornetos (67,6%).
CONCLUSÃO: A frequência de RB foi elevada. Nem sempre a típica fácies do respirador bucal (fácies alongada e boca aberta) foi encontrada, porém a língua anteriorizada e rebaixada, o palato em ogiva e a má oclusão dentária estavam presentes na maior parte da amostra. Os distúrbios do sono (roncos, respiração bucal e apneia) podem comprometer o dia a dia da criança, e nem sempre os pais observam e correlacionam estes dados.

Palavras-chave: Respiração bucal, criança, arco dental, face.

12 - Características de pacientes asmáticos com bronquiectasias

Characteristics of asthmatic patients with bronchiectasis

João Paulo de Assis; Gabriella Melo Fontes Silva Dias; Giane Cristina de Moraes Garcia; Jorge Kalil; Pedro Giavina-Bianchi; Rosana Câmara Agondi

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :403-409

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170059

PDF Português

INTRODUÇÃO: A bronquiectasia é uma enfermidade caracterizada por dilatações anormais e irreversíveis de um ou mais brônquios. Pode estar associada a diversas outras comorbidades respiratórias, entre elas, a asma.
OBJETIVO: Caracterizar os pacientes asmáticos com bronquiectasias acompanhados em um serviço terciário de alergia.
MÉTODOS: Análise retrospectiva de prontuários de pacientes asmáticos que apresentavam bronquiectasias nos exames de tomografia computadorizada de tórax. Os portadores de aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) foram excluídos. Foram analisados os dados demográficos e exames complementares (espirometria, eosinófilos periféricos, IgE total e IgE específica). A caracterização das bronquiectasias foi avaliada conforme sua localização nos campos pulmonares.
RESULTADOS: Quarenta e nove pacientes foram selecionados, sendo 88% do sexo feminino. A média de idade do grupo era de 63 anos, e de tempo de doença de 43 anos. O tratamento prévio de tuberculose (TB), em algum momento da vida, foi relatado por 31% dos pacientes. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) estava presente em 76% dos pacientes, e a história de tabagismo ativo ou passivo, em 65% dos pacientes. Mais de 80% dos pacientes estavam no step 4 de tratamento da asma, e apresentavam VEF1 reduzido. A média de eosinófilos periféricos foi de 253,4 cel/mm3, de IgE total foi de 458,8 UI/mL, e 69% dos pacientes eram sensibilizados para algum aeroalérgeno. Em relação à localização das bronquiectasias, o lobo superior direito foi o mais acometido, seguido pelo lobo superior esquerdo e lobo inferior direito, respectivamente.
CONCLUSÃO: Neste estudo, 88% dos pacientes asmáticos com bronquiectasias apresentavam asma grave e função pulmonar alterada, apesar do tratamento otimizado. A bronquiectasia pode estar associada à dificuldade no controle da asma e, embora a história de TB prévia estivesse presente em 31% dos pacientes, a frequência elevada de comprometimento dos lobos superiores (49%) sugere uma frequência maior de doença pulmonar associada à TB.

Palavras-chave: Asma, bronquiectasias, tuberculose.

Comunicações Clínicas e Experimentais

13 - Hipersensibilidade a anti-inflamatórios não esteroidais em crianças: relato de dois casos e revisão das novas classificações

Hypersensitivity reactions to nonsteroidal anti-inflammatory drugs in children: report of two cases and review of new classifications

Mara Morelo Rocha Felix; Gladys Reis e Silva de Queiroz; Carolina Sanchez Aranda; Marcelo Vivolo Aun; Ullissis Pádua de Menezes; Adriana Teixeira Rodrigues; Inês Cristina Camelo-Nunes; Monica Soares de Souza; Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho; Maria Fernanda Malaman

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :410-416

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170060

PDF Português

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são amplamente utilizados para tratamento de dor e/ou febre em crianças. Atualmente, constituem a principal causa de reação de hipersensibilidade (RH) a medicamentos em adultos e crianças de vários países, inclusive do Brasil. Existem dois mecanismos envolvidos nessas reações: mecanismos não imunológicos (devido à inibição da enzima ciclooxigenase), e mecanismos imunológicos responsáveis pelas reações alérgicas (mediadas por IgE ou células T). As reações mais comuns em crianças e adolescentes são aquelas decorrentes de mecanismos não imunológicos. As manifestações clínicas variam desde urticária/angioedema/anafilaxia, que ocorrem em poucos minutos a horas após a administração do AINE, até reações tardias, que podem surgir vários dias após o início do tratamento. A história clínica detalhada é fundamental para o diagnóstico. Os testes in vitro são pouco validados, mas os testes cutâneos podem ser realizados nos casos de suspeita de uma RH seletiva, com provável mecanismo imunológico. O teste de provocação oral (TPO) é considerado o padrão ouro para o diagnóstico, e pode auxiliar na escolha de uma alternativa segura. Este artigo relata dois casos de hipersensibilidade a AINEs em crianças que ilustram tipos diferentes de mecanismos (não imunológico e imunológico) com manifestações clínicas distintas: urticária (imediata) e erupção fixa por droga (não imediata). Existe dificuldade na classificação das RHs aos AINEs, assim como ocorreu em um dos casos descritos. Portanto, há necessidade de mais estudos nessa área buscando ampliar o conhecimento e melhorar a avaliação e seguimento dessas crianças com RH a AINEs.

Palavras-chave: Anti-inflamatórios, hipersensibilidade a drogas, criança.

14 - DRESS: relato de caso com estudo genético

DRESS syndrome: case report with genetic testin

Maria Inês Perelló Lopes Ferreira; Eduardo Costa de Freitas Silva; Luís Cristóvão Pôrto; Maria de Fátima Guimarães Scotelaro Alves; Anna Carolina Arraes; Assunção de Maria Castro; Sonia Conte; Denise Lacerda Pedrazzi; Gabriela Coelho Dias

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :417-421

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170061

PDF Português

A síndrome de hipersensibilidade a drogas com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS) é uma rara reação adversa a drogas com potencial de morte e sequelas em longo prazo. Os anticonvulsivantes aromáticos estão entre os medicamentos mais relacionados. Relatamos um caso de DRESS em associação com o alelo HLA-A*31:01, destacando aspectos clínico-laboratoriais, abordagem diagnóstica e acompanhamento ambulatorial de sequelas tardias. Homem com 69 anos, natural do Japão, internado com suspeita clínica de DRESS. Havia iniciado carbamazepina 4 semanas antes do rash cutâneo para tratamento de epilepsia. Apresentou biópsia cutânea compatível com farmacodermia. O paciente foi tratado com prednisolona por 4 meses. A tipagem HLA-A-B-DRB1 por PCR-RSSO (ONE LAMBDA) e SSP alelo específico revelou HLA relacionado a reações de hipersensibilidade à carbamazepina. O teste de contato realizado com carbamazepina a 10% no primeiro ano após a reação foi positivo. A restrição futura da classe de anticonvulsivantes aromáticos foi recomendada. Oito meses após a aparente resolução clínica da DRESS, o paciente desenvolveu aumento dos anticorpos antitireoideanos e doença de Hashimoto. Treze meses após a o início da reação, foi observado aumento nos títulos de FAN, sem manifestações clínicas. Este relato de caso descreve aspectos clínico-laboratoriais típicos de DRESS relativos ao diagnóstico clínico-laboratorial e histopatológico, bem como evolução clínica em curto e longo prazos. A abordagem farmacogenética e o teste de contato foram importantes para a confirmação da imputabilidade da carbamazepina na etiologia da DRESS.

Palavras-chave: Antígenos HLA, hipersensibilidade a drogas, carbamazepina, DRESS.

15 - Síndrome de Wiskott-Aldrich com plaquetas de volume normal

Wiskott-Aldrich syndrome with normal-sized platelets

Danddara Morena Gonçalves Silveira; Sarah Angelica Maia; Camila Forestiero; Gesmar Rodrigues Silva Segundo; Débora Carla Chong-Silva; Herberto Jose Chong Neto; Carlos Antônio Riedi; Troy R. Torgerson; Nelson Augusto Rosário

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :422-426

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170062

PDF Português

A Síndrome de Wiskott-Aldrich (WAS) é uma imunodeficiência congênita ligada ao cromossomo X, caracterizada por mutações no gene WAS, responsável pela proteína WASP. As principais manifestações clínicas são trombocitopenia com plaquetas de volume reduzido, eczema, infecções recorrentes e maior incidência de doenças autoimunes e neoplasias. Relatamos o caso de um paciente do sexo masculino com sintomas clássicos desta síndrome (eczema, trombocitopenia e infecções recorrentes), porém com plaquetas de volume normal. Existem poucos relatos desta síndrome em pacientes com plaquetas de volume normal, o que atrasou o encaminhamento do paciente ao imunologista, o qual foi tratado como portador de Síndrome de Evans e dermatite atópica até os quatro anos de idade. A confirmação diagnóstica foi por teste genético. O diagnóstico precoce possibilita profilaxia com antibioticoterapia e uso de imunoglobulina endovenosa, devido ao risco de infecções graves, e encaminhamento para transplante de células-tronco hematopoiéticas, que até o momento é o único tratamento curativo. A suspeita clínica deve existir em pacientes com trombocitopenia inexplicável, mesmo se as plaquetas tiverem o tamanho normal, associada às outras manifestações da doença.

Palavras-chave: Síndrome de Wiskott-Aldrich, imunodeficiência primária, criança, eczema, trombocitopenia.

16 - Um caso de alergia a romã e a noz - qual o papel da proteína de transferência lipídica Pru p 3?

A case of allergy to pomegranate and walnut: what is the role of lipid transfer protein Pru p 3?

Alexandra Fernandes; Cristina Madureira; Sylvia Jacob; Susana Lopes; Fernanda Carvalho

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :427-430

Resumo

DOI: 10.5935/2526-5393.20170063

PDF Português

As proteínas de transferência lipídica (LTPs) são pan-alergênios responsáveis pela reatividade cruzada entre frutos, vegetais e polens. A Pru p 3 (LTP presente no pêssego) é reconhecida como marcador de gravidade na alergia alimentar. A romã e a noz são frutos relatados como causas de reações alérgicas devido à existência de LTPs. Reportamos o caso de um adolescente admitido por urticária e edema labial após ingestão de romã, com história prévia semelhante após ingestão de noz. Os testes cutâneos revelaram positividade para extratos comerciais de noz e para a polpa de romã, e foram negativos para gramíneas e pêssego. Apresentava um doseamento de imunoglobulina E (IgE) total de 87,2 UI/mL e IgE específicas (sIgE) para noz e avelã positivas. O doseamento de sIgE pelo método ISAC (immuno-solid-phase allergen chip) revelou positividade para os alergênios da avelã (Cor a 8), do pêssego (Pru p 3) e da noz (Jug r 3). Não havia história de reação alérgica à ingestão de pêssego. O caso questiona a relevância da sensibilização ao Pru p 3 em doentes não alérgicos ao pêssego, e se este será o único marcador de reação cruzada com a romã.

Palavras-chave: Alergia alimentar, noz, Pru p 3, romã.

Imagens em Alergia e Imunologia

17 - Erupção variceliforme de Kaposi: subdiagnóstico

Eczema herpeticum: a missing diagnosis

Andressa Zanandréa; Cláudia Castilho Mouco; Mara Giavina-Bianchi; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(4) :431-433

DOI: 10.5935/2526-5393.20170064

PDF Português

2018 Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

Av. Prof. Ascendino Reis, 455, Vila Clementino, CEP 04027-000, SÃO PAULO, SP, Fone: (11) 5575-6888

GN1 - Sistemas e Publicações